segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pré-história

Reprise de Vale Tudo na TV. Algumas coisas interessantes. Citam um salário de 28 mil. Mil o quê? Cruzeiros, cruzados, cruzados novos? A gente passou por tanto plano que não faço ideia. E outra, um personagem recebe uma Olivetti Praxis para treinar para um teste de datilografia. Esta era uma época antes do marketing então eles não ficaram mostrando a marca. Mas como eu tive uma, reconheci na hora. Minha primeira máquina de escrever foi uma Hermes Baby. Pedi a grana para meu pai para ir comprar. A Praxis já foi iniciativa de presente do meu pai mesmo. Eu achava o máximo, ainda mais por que sempre gostei de um bom design e escrevi muito trabalho de faculdade nela, muito manuscrito final de conto. Quando ela pifou depois que eu a emprestei a alguns amigos, ela já estava meio aposentada. Eu já trabalhava com computadores e a morte da máquina de escrever estava anunciada. Mas mesmo com uma máquina de escrever tão chique, nunca consegui escrever direto na máquina. Meu processo sempre foi com papel e caneta e segue sendo assim, mesmo quando é um pé no saco, como quando tenho de digitar a melecada toda que escrevi. Mas hoje me deu saudade da velha e pré-histórica Praxis.

domingo, 17 de outubro de 2010

Experiência

Último fim de semana antes de viajar. Por causa de um trabalho, acabei trocando o sábado pelo domingo então foi hoje que eu fui para a Travessa escrever. Na FLIP, durante a mesa do Colum McCann com o William Kennedy, uma das coisas discutidas foi a questão de escrever sobre coisas que não se conhece e não se experimentou, algo que o McCann faz bastante em seus livros. E essa é uma coisa que realmente me fascina, como certos escritores conseguem escrever sobre épocas passadas e costumes que não se usam mais. Meu cenário é sempre o aqui e agora. Para o que me interessa escrever, o aqui e agora está mais do que bom. O que eu tento fazer agora é criar personagens cuja experiência é mais distante da minha. Essa é uma das coisas que estou explorando no novo romance, falando de personagens que sofreram maus tratos quando eram crianças. A pior coisa que já me aconteceu quando eu era criança foi minha mãe me dar uma boa palmada quando ficava realmente pê da vida com algo que eu fazia. Isso era extremamente raro já que eu era a comportada da família. O castigo tradicional da mamãe era a gente ficar mofando no quarto para "pensar no que a gente tinha feito". A palmada era um sinal que a besteira tinha sido bem feia e que era melhor não repeti-la. Mas eu nunca apanhei e passei esse último ano e tanto procurando imaginar o que é isso e que efeito isso tem nas relações de uma família. E parece meio estranho que isso seja um processo racional, como foi um processo racional imaginar as repercussões de um suicídio para uma família para meu primeiro romance, mas acho que esse processo precisa ser racional. Eu costumo escrever sobre coisas difíceis e o filtro racional me protege um pouco. O que eu descubro é que por mais que consiga entender certos processos de maneira racional, sempre fica faltando alguma coisa e aí entra outro tipo de pesquisa. Preciso encontrar alguém que passou por essa experiência. Não é exatamente uma pesquisa proposital. As coisas meio que me caem no colo. O comentário de uma amiga, um documentário sobre o assunto na TV, um texto que leio na Internet. Desta vez não foi diferente. Me caiu na mão um filme sobre pessoas envolvidas em relações violentas e isso me deu uma série de respostas a coisas que eu não sabia. Passei o dia hoje incorporando algumas dessas respostas ao texto. Vou ter muito mais trabalho a fazer quando terminar a Monstra, mexendo em partes do texto que lidam com essas questões. Mas a partir de quinta, toda a minha atenção vai se voltar para a Mostra.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Como manteiga

Recebo um e-mail de uma amiga que está lendo meu primeiro romance. E ela me diz, "O texto flui como manteiga e o diálogo interior escorrega dentro da gente". É muito bom um e-mail desses. Pouca gente leu meu romance, ele ainda está na mão de editores, aguardando um parecer. Tudo bem. Eu aprendi a ser muito paciente nesse tempo todo entre o dia em que terminei o romance e agora. O que me ajuda a ser paciente é ter a atenção focada no romance atual, esse que vai meio aos trancos e barrancos rumo à terceira versão. Já comecei a digitar o texto dos cadernos, mas isso vai levar um tempo. Talvez eu consiga avançar um pouco em São Paulo. Afinal, há um limite para o que se pode fazer num quarto de hotel. De todo modo, essa coisa só vai engrenar mesmo depois que eu voltar de viagem. Aí sim teremos novidades.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Monstra à vista

Terminei o Festival do Rio no mesmo cinema em que comecei, no Estação Botafogo. Já posso pendurar meu crachá enquanto me preparo para o próximo. Dentro de uma semana estarei fechando a mala antes de embarcar para São Paulo. Mais uma Monstra. E este ano estou decidida a curtir a cidade como não consegui fazer ano passado. Estes dias agora são cheios de providências. A reserva do hotel, as passagens de avião, a hospedagem dos cães, lavar toda a minha roupa (que não é muita) para levar na viagem. A Pauliceia que me aguarde.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Overdose de preguiça

Cansaço, preguiça. Tudo o que quero fazer é passar o dia na cama, dormindo. As duas semanas do festival foram realmente exaustivas. Tenho trabalhos a fazer, mas estou sem vontade de começar. Só estou animada para voltar a cozinhar. Depois de duas semanas comendo pipoca, pastéis e o ocasional sanduíche, é bom poder voltar a usar minha wok. Quero fazer um curry verde de frango com batata doce. É um prato que eu adoro. E estou com saudade dele. Também tenho de iniciar os preparativos para ir a São Paulo. Quinta da semana que vem vou embarcar. E tenho um encontro marcado com uma amiga lá. Enquanto isso, o pessoal está marcando um chope para marcar o fim da repescagem. O pessoal está bem pinguço esse ano. E estou adorando isso.

sábado, 9 de outubro de 2010

Post-mortem

Nem consigo acreditar que acabou. Ontem tivemos nosso chope de encerramento e foi uma delícia. Antigamente, o ponto de encontro era o Coisas do Interior, mas depois que eles fecharam, ficamos meio sem saber para onde ir. Mas agora abriu esse bar do lado do Estação Botafogo e é um bom lugar para congregar a turma. Inclusive porque tem um prato de filé com cebola e aipim na chapa que é uma delícia. Conversamos, trocamos histórias de velhinhas iradas que vão parar no banheiro e espectadores sem noção, da distribuição de buracos negros e do bom uso de palavrões. Não fizemos a eleição do abacaxi de ouro do festival, mas comentamos vários filmes que seriam bons candidatos. Aliás, nunca há uma falta de bons candidatos. A quantidade de dinheiro que se desperdiça com alguns filmes é incrível. Nós fechamos o bar e o pessoal foi para outro mais adiante no Baixo Botafogo, mas eu queria estar inteira para escrever hoje, então voltei para casa e desmontei na cama. Depois de duas semanas dormindo duas, três horas por noite, seis, sete horas de sono parecem um luxo. De todo modo, pretendo aproveitar este fim de semana ao máximo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Últimos dias

Reta final. Eu estou mortinha. O negócio é aguentar firme até quinta. E aí pretendo dormir o fim de semana todinho. Só então vou pensar no refishing.

domingo, 3 de outubro de 2010

As fases do festival

Existe uma sequência num festival que se repete todo ano. Ai que bom o festival está chegando, essa sessão é minha, começa amanhã, estou nervosa, essa adrenalina é demais, não vai dar para dormir se eu quiser fechar meu filme, que dia é hoje mesmo, esse filme tá um saco, me tira daqui, estou morta, quando é que essa porcaria de festival termina, graças a Deus acabou, saco, vou ter de esperar um ano até o próximo. Todo ano é isso. Mas eu detestaria abrir mão dessa maluquice. Gosto demais dela.

sábado, 2 de outubro de 2010

O mundo lá fora

Durante o Festival, o mundo exterior meio que deixa de existir e é um pouco surpreendente dar de cara com ele. Indo para minhas sessões no Odeon, descubro que há uma greve dos bancos acontecendo, as fachadas dos bancos empapeladas de cartazes anunciando a greve. No Gávea ontem, de repente, um barulho ensurdecedor. Virei para uma moça me atendendo no balcão do café e perguntei o que era aquilo. Ela me disse que era chuva. Sempre acho estranho dar de cara com o que acontece enquanto estou enfiada dentro do cinema. Uma hora chove, de repente fica quente e é sempre uma surpresa porque você não viu a transição. Você entrou no cinema de dia e saiu de noite, às vezes de madrugada. E acaba sendo pior quando após duas semanas você não precisa mais ir ao cinema e voltar a viver de fato no mundo real. É meio desorientador. Você sente falta daquela existência homogeneizada e artificial do cinema. E quando volto a me acostumar, lá vou eu para São Paulo repetir tudo de novo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Chope!

Noite de quinta para sexta. Um chopinho para comemorar não só o dia dos tradutores como o aniversário de um dos nossos heróicos tacadores de legenda. Todo mundo trocando as histórias de guerra deste e de outros festivais. É um tanto inevitável. O que todos temos em comum é justamente este trabalho, esta maluquice que nos acomete uma vez por ano, esta loucura que nos faz procurar cavernas escuras em que histórias são contadas. À medida que o nível etílico da mesa vai aumentando, as histórias vão ficando mais malucas e logo estamos tendo uma conversa surreal. Houve uma vez, há alguns anos, uma conversa num desses chopinhos em que os homens presentes começaram a discutir se colocariam silicone nos seios ou não. Se eles fossem mulheres, claro. Você tenta lembrar como foi que a conversa foi parar nisso, mas não há como refazer os passos desse papo maluco. Papo de bar. Inevitavelmente chega uma hora em que estou rindo sem parar e penso, estava precisando desse chopinho, desse encontro entre amigos legendísticos. Tomara que em São Paulo possamos ter uma repetição disso. Sinto falta desses chopes no resto do ano.