domingo, 19 de agosto de 2012

A corrupção pelos ideais

No jornal inglês The Guardian achei uma análise de The Remains of the Day de Kazuo Ishiguro, meu romance preferido, por ninguém menos que Salman Rushdie. O texto é maravilhoso e diz tudo o que sempre quis falar sobre esse romance. Aproveitem. O texto do Rushdie você acha aqui.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Motivos para o recesso

Seguinte, eu estou numa situação que nunca teria imaginado em um milhão de anos. No primeiro semestre deste ano, descobri que meu pai tem Alzheimer. E você rapidamente descobre que essa é a notícia mais devastadora do mundo porque quem vai ter que tomar conta dele daqui em diante é você. Nunca quis filhos, não levo jeito com crianças. E me vejo tendo que tomar decisões por outra pessoa e isso é um peso incrível. Então, quando você está escrevendo um romance que envolve um pai idoso doente que morre e uma coisa dessas acontece, é muito estranho. É como se ao escrever você provocasse o que escreve. Não sou de ficar contando essas coisas no blog, nem foi para isso que o criei. Mas esse é um evento tão enorme que não tem como não afetar tudo o que faço de agora em diante, tudo o que escrevo, como faço as coisas. Há muitas outras complicações nessa história toda que não vou descrever. É minha vida particular, afinal. Mas isso é o que basta para se entender porque eu vou ter de sumir de tempos em tempos. Eu volto. Pode deixar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Em recesso

Na FLIP deste ano, durante a mesa com Teju Cole e Paloma Vidal, o Teju falou que escreveu certas coisas no seu romance Open City que não tinham nada de autobiográficas. O curioso é que pouco depois de terminar o romance, algumas dessas coisas se tornaram realidade. Daí ele disse que queria que o próximo romance fosse sobre um jovem escritor que vendia milhões de livros e ficava milionário. A plateia, naturalmente, riu. E eu sentada ali a poucos metros tive vontade de levantar e dizer que isso acontece comigo também. Há algo de meio assustador quando isso acontece. E, ao mesmo tempo, isso também me dá mais material.
Tem muita coisa acontecendo agora e não vou poder escrever no blog com a habitual frequência. Depois eu explico. Mas por ora, entramos de férias.

domingo, 29 de julho de 2012

Mais dez páginas

Mais dez páginas de caderno ontem. E depois, como sempre, fiquei indócil, querendo fazer mais algumas coisa. Só consegui dormir lá pelas três da manhã. A diferença é que agora tenho vontade de falar com alguém sobre o que estou fazendo, discutir a lógica da montagem da estrutura. E nesse romance, a ordem das cenas é bem importante. Decidi fazer sequências de cenas em vez de cenas simplesmente intercaladas entre 1989 e 2009. E no meio delas, ocasionalmente, uma cena de flashback que não se encaixa nesses dois anos, mas que, espero, ilumine aquele momento específico da história. Ainda tenho muito o que fazer, falta digitar meio caderno. Mas pelo menos já posso ver que terei umas 60 mil palavras no romance. O que não é nada mal.

sábado, 28 de julho de 2012

Thai, Thai, Thai

Falei de tanta coisa de Paraty, mas esqueci de falar de uma das coisas que mais me deu satisfação, que foi ver o Thai Brasil de volta ao centro histórico, cheio de gente, num espaço lindo na Rua do Comércio. E a loucura na hora do almoço e, especialmente, durante o jantar. As cozinheiras todas trabalhando feito umas loucas, os garçons correndo de um lado para o outro, as mesas todas cheias de gente. Os clientes antigos apareciam, gente que não conhecia a casa, e a Marina recebendo todo mundo com o máximo carinho. Quando descobri que o restaurante estaria aberto para o almoço e o jantar durante a FLIP, fiz questão de fazer todas as minhas refeições ali. Ainda mais porque a comida é uma delícia. Quando voltei para o Rio, percebi o quanto fiquei mal acostumada depois de cinco dias de refeições tailandesas gostosas. Marina é uma pessoa que eu admiro. Ela brigou, brigou e conseguiu voltar para o centro histórico. Trabalha feito uma louca, cozinha que é uma maravilha e recebe todos os clientes com enorme carinho. Só lamento que o Thai Brasil não tenha uma filial aqui. Ela ficaria rica, tenho certeza.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Tempo em falta

Meu problema eterno, como o de todos os escritores que não ganham a vida escrevendo, é tempo. E também que não sou a datilógrafa mais rápida do mundo. Quando tento acelerar, eu erro muito. Tenho uma profunda inveja da minha supervisora, Monique, que senta do meu lado no trabalho e parece uma metralhadora. Daí o processo de ter de digitar todo um romance, passando-o do caderno para um arquivo de Word, pode ser bem frustrante porque leva uma vida inteira. No sábado só consegui digitar dez páginas de caderno. Ainda faltam cem. Vou ter de começar a digitar durante a semana também ou essa digitação não termina nunca. Pelo menos uma das coisas que está dando certo é ordenar as cenas ainda durante a digitação. Está me ajudando a ter uma visão mais clara da história, dos dois períodos da história e também do personagem e se sua evolução. Mais sobre isso um outro dia.

sábado, 21 de julho de 2012

Happy birthday to me

Hoje é meu aniversário e decidi que a melhor maneira de comemorá-lo, aproveitando que, para variar, ele caiu num fim de semana, é me dedicar ao que mais gosto de fazer: escrever. Amanhã, um encontro com as amigas. Nada melhor para fechar um fim de semana que estar entre gente de quem se gosta.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Fragmentado

Faz quase duas semanas que eu voltei. Os livros que comprei ainda estão empilhados na sala, os jornais que trouxe não foram separados. Tenho que recuperar os ingressos que comprei e quero guardá-los junto com o livro do programa como sempre faço para ter de lembrança. Na prática, a FLIP só termina para mim quando compareço ao último evento pós-FLIP. Ainda tenho de separar as fotos, jogar online. E fico repassando o que passei lá pela cabeça. Mas uma coisa que percebo cada vez mais é que a FLIP é sempre uma experiência meio fragmentada. São pequenos flashes, breves momentos, são pedaços de conversas que você ouve na fila esperando para entrar. São todas as refeições que você faz. Depois você vê as entrevistas que passaram na TV, vê as reportagens e é sempre uma coisa meio estranha pensar que não há nada que realmente consiga cristalizar o que é a experiência da FLIP. A gente escreve blogs, tira fotos, conta o que aconteceu aos amigos. E você só consegue captar aquela sensação do que é a FLIP quando está diante da Tenda dos Autores no ano seguinte, esperando ansioso pela primeira mesa do evento.

domingo, 15 de julho de 2012

Chove chuva

É um pouco engraçado que este fim de semana está fazendo o tempo que eu queria que tivesse feito durante a FLIP. Tudo bem que as fotos ficam mais bonitas com o sol, mas andar para lá e para cá debaixo do sol quente e por conta disso ficar suando feito uma porca não é muito agradável. A FLIP que mais me agradou em termos meteorológicos foi a primeira, em 2005, notável por ser a mais fria até o momento. Quem não veio com um casacão ficou tiritando de frio durante os cinco dias. Eu fui a Paraty com dois casacos enormes e rodei pela cidade feliz da vida. Fui feita para o inverno, não para o verão. Sempre achei que Paraty combina perfeitamente com neve. A cidade ficaria linda coberta de neve. Mas para isso vou ter de esperar até a próxima era glacial.
Na sexta, esperando numa fila para conseguir um autógrafo, me desfazendo em suor, reclamei tanto do calor que o tempo acabou por virar. Na Tenda do Telão, que é mais aberta, durante a mesa com o Ian McEwan e a Jennifer Egan, percebi que o tempo tinha começado a mudar. Na noite anterior, assistindo à TV na pousada, vi que estava chovendo em São Paulo e torci para aquela chuva vir na nossa direção. Mas talvez eu tenha exagerado um pouco, porque pouco depois de voltar para a pousada, começou a cair uma chuva forte e até faltou luz por uns 15, 20 minutos de madrugada. Resultado, no dia seguinte a temperatura estava super agradável e andei pela cidade mais contente. Só não fiquei cem por cento feliz porque sabia que teria de ir embora em poucas horas, voltar para minha vida normal. Esse é o único grande problema da FLIP. Ela sempre acaba e é sempre cedo demais.

sábado, 14 de julho de 2012

Pós-FLIP

Compareci na quarta ao evento pós-FLIP da Globo na Travessa do Leblon em que falavam sobre os dez anos da FLIP. E achei interessante quando, no meio da palestra, uma mulher começou a reclamar de alguma coisa, provavelmente relacionado ao fato de ter pouca poesia na FLIP. Como ela não tinha um microfone, não dava para entender direito. Mas pela resposta do pessoal na mesa, deu para deduzir que tinha a ver com poesia. Isso num ano em que havia leituras de poesia antes de toda mesa e em que o homenageado é provavelmente um dos poetas mais amados do Brasil. A poesia realmente recebe menos atenção que outras formas de literatura, não só aqui no Brasil, mas em outros países também. Ela é uma forma mais difícil. Eu, por exemplo, sou meio impermeável a poesia. Ela só me chega meio que contrabandeada, inserida dentro de outros veículos, como uma música, citada em um filme. Mas o que interessa é que essa reclamação não tem nada de novo. Há anos que as pessoas criticam a FLIP. E isso é um resultado da importância que a festa adquiriu no país, gerando inúmeros outros festivais literários. As pessoas querem que a FLIP seja todas as coisas para todas as pessoas. E isso obviamente não é possível. A festa não vai salvar a literatura, não vai fazer as pessoas lerem mais, não vai transformar o país. Mas por cinco dias pode divertir as pessoas, pode nos fazer pensar e rir e descobrir coisas que não sabíamos antes. É isso o que me interessa.