segunda-feira, 6 de maio de 2013

Desvios

Fim de semana de descanso. Fim de semana de escrita. Os dois para mim são sinônimos. O texto vem mais devagar do que em semanas anteriores. Tudo bem. Sabia que a febre não podia durar eternamente. Foi bom enquanto durou porque me permitiu produzir quase dois terços da nova versão do romance em coisa de dois meses. Nunca escrevi tão rápido. O curioso desse fim de semana é que eu começo num determinado ponto e de repente a cena dá uma virada inesperada e eu acabo em um lugar totalmente diferente. Esse é sempre um processo muito estranho. Por que você se desvia daquele caminho que tinha traçado inicialmente. E por que é que você não foi parar naquele lugar que tinha imaginado? Só Deus sabe.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Feriado

Não há nada melhor que um feriado no meio da semana quando tudo o que você quer fazer é escrever. Você está na sua mesa no trabalho e tudo o que te passa pela cabeça é a conta dos minutos que faltam até você poder sair voando para o elevador e se juntar à multidão na rua que avistou pela janela do alto do 34º andar. Essa não é uma crítica ao meu trabalho, mas é que qualquer trabalho está em segundo lugar para a escrita.
Aquela efervescência terminou, mas sigo produzindo de uma maneira constante e isso me agrada muito. Me custa um pouco mais a imaginar qual vai ser a próxima cena. A sequência que leva ao final da história é sempre a mais complicada.
Há uns dois anos compareci a uma mesa redonda com Elvira Vigna e alguns outros escritores. E na época achei curioso que todos falassem da importância de encontrar o narrador certo para contar a história quando até então meu narrador sempre era o protagonista da história. Nunca senti necessidade de mudar isso. Até agora. A melhor decisão que tomei nesse romance depois de jogar o primeiro texto fora foi trocar o narrador do protagonista em primeira pessoa para um narrador em terceira pessoa. A distância entre o protagonista e o narrador me permitiu ocultar informações, criticar o protagonista e eliminar todas as lamentações e autocomiseração que pesavam a narração original. Foi com grande prazer que descobri que de fato o narrador realmente pode afetar o tom de um texto. E a coisa que sempre quero ao escrever um novo projeto é sentir que meu texto está evoluindo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cooling down

O fogo finalmente está acabando. Sigo escrevendo, só que não com a urgência das últimas semanas. Não vou esquentar. Essa febre do último mês acabou resultando em 150 páginas de caderno, o que me deu 75% do que escrevi até agora. Também acho que não dava para continuar nessa febre já que cheguei num ponto em que preciso decidir como encaminhar a história até o fim. Também não tenho tido tempo de fazer uma das coisas que vêm alimentando esse processo que é assistir determinados filmes que tratam de alguns dos temas do romance. Isso tem me dado uma carga de emoção que depois jogo no papel.
Um dos filmes que descobri nesse processo foi Rachel Getting Married, do Jonathan Demme, que é muito interessante não só pela temática, mas pela forma como foi filmado, praticamente como um documentário, com muita câmera na mão, muito improviso, música registrada enquanto é tocada durante o momento da filmagem. Fico torcendo que o Demme faça mais filmes assim. O resultado foi extremamente interessante. Desconfio que parte dessa matéria cinematográfica esteja entrando no texto porque tem horas (como hoje na Travessa) em que penso que seria mais fácil se eu pudesse mostrar a imagem do que estava passando na minha cabeça. Há momentos em que é muito melhor mostrar a pessoa sentindo a emoção do que ter de descrevê-la. Inclusive porque você corre o risco de cair no clichê. Ocasionalmente, acho que deveria tentar escrever um roteiro de cinema. Só que normalmente escrevo histórias que acontecem mais dentro da cabeça dos personagens do que fora. Agora que me vejo escrevendo algo que efetivamente acontece no tempo e espaço e tem ações e quase nenhum flashback (ao menos atá agora), de repente a ideia de escrever um roteiro está parecendo mais viável. Essa é uma coisa que ainda está no futuro.

domingo, 14 de abril de 2013

Febre

Só hoje eu percebi que faz um mês que estou nessa febre de escrever, o que é muito incomum. Esse tipo de empolgação constante não costuma se sustentar por muito tempo. E também percebi que posso estar dando um passo maior que a perna nesse romance. O que, na prática, é justo o que eu quero. Escrever nunca é só escrever, é tentar avançar a cada coisa que se faz, Tenho de trabalhar amanhã, mas vou tentar escrever mais um pouco.

domingo, 7 de abril de 2013

Felicidade e adrenlina

Não tem nada melhor que a sensação de voltar para casa depois de escrever na Travessa e estar quicando de felicidade e adrenalina. Escrever esse novo texto está sendo uma experiência sem igual. Minha prioridade é escrever. O resto do tempo eu fico esperando até a hora de poder escrever. Durante o almoço peço sempre os mesmos dois pratos, em dias alternados, como o mais rápido possível e isso me dá pelo menos uns 20 minutos para escrever até ter de voltar ao trabalho. Depois do expediente, se eu posso, passo num café e escrevo mais uma hora antes de ir para casa. E aí tem o fim de semana. Sábado e o domingo também, se não tem um freela urgente. Vivo para escrever. O emprego é só para financiar isso. Ponto.

domingo, 31 de março de 2013

Leve, leve

Ando meio obcecada com o Inside the Actors Studio. Todo dia no trabalho, enquanto tenho de produzir apresentações de empresas e textos de cursos e treinamento, fico ouvindo os programas através do meu fone. De programa de TV virou uma espécie de rádio. Tem entrevistas que já ouvi várias vezes. E nisso eu guardei uma coisa que achei interessante. Vários atores leem o roteiro, fazem a pesquisa, depois deixam tudo de lado na hora de atuar. Foi meio o que eu fiz com o Outros Outubros, que agora não lembro qual o número dele como romance em progresso. And who cares? Mas ao jogar fora o primeiro manuscrito, acho que me livrei de um peso, uma bagagem que venho carregando há um tempo enorme, dessa novela que eu queria fazer dar certo. E tem dado muito mais certo do que eu imaginava. Imediatamente eu reescrevi uma cena de crise e senti que podia dar muito certo essa coisa de ter ejetado a bagagem. A grande verdade é que essa história vem quicando na minha cabeça há muitos e muitos anos. E já tentei fazer ela dar certo umas trocentas vezes. Mas ao jogar fora tudo o que eu tinha pensado e elaborado e estruturado, com essa ideia de ficar indo e voltando entre 1989 e 2009, me voltei para o que era essencial na história. E isso tem dado tão certo que fico buscando cada momento vago para escrever. Saio do trabalho e vou num café próximo para escrever por pelo menos uma hora. Ou então devoro minha comida o mais rápido possível na hora do almoço, empurro o prato pro lado e escrevo por uns vinte minutos. Mal estou lendo. Nem preciso. Ler é uma coisa que costuma me dar combustível para escrever. Mas agora não sinto necessidade. O texto vem brotando, brotando. Me vejo escrevendo cenas que não entraram na história original. E praticamente não há flashbacks para 1989. É praticamente tudo em 2009. E é tudo ação, ação, ação, o que é muito incomum para mim, que adoro uma cena de reflexão, ter o personagem pensando sobre as coisas. Passei o fim de semana na Travessa e ao sair de lá hoje, lamentei muito não ter mais um dia. Vou ter de esperar até sábado que vem, mas pode apostar que essa vai ser uma semana em que frequentarei o café. Fica caro para mim no fim das contas, mas me sinto muito mais feliz quando o texto chama e eu atendo. Porque, do contrário, vou subir as paredes. Eu me conheço.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Fumacinha

Passo na porta do cinema Odeon a caminho de casa. O filme em cartaz? Habemus Papam.

domingo, 17 de março de 2013

Os Idos de Março

Os Idos de Março. Essa data é eterna e foi meio inevitável chegar em casa e assistir a um vídeo de Júlio César de Shakespeare. Só que não era a versão clássica com Marlon Brando. Ano passado, durante um festival de Shakespeare na BBC, achei uma montagem da Royal Shakespeare Company em que Roma é uma república africana e todos os atores são negros. Uma das coisas que mais gosto nessa montagem é como o texto fica muito claro. Em tantas montagens você não consegue ouvir o que é dito e isso me frustra bastante.
E depois dos Idos de Março, dois dias na Travessa. Faz muito tempo que não sinto tanta satisfação após passar um dia inteiro escrevendo. Estava precisando dessa confirmação que sim, escrever é o que mais gosto de fazer, é aquilo que me completa.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Inside

Descobri recentemente que há episódios inteiros do "Inside the Actor's Studio" no YouTube. Então agora passo meus dias na Lersch com fones de ouvido e um episódio do Actor's Studio tocando no meu Firefox. É que nem escutar o rádio e meus dias são muito mais agradáveis. Sempre fui fascinada por esse programa. O episódio do Robin Williams é suficiente para me deixar feliz por muitos e muitos dias. E o que sempre me interessa nessa série é a descrição do processo do ator. Que eu acho que tem semelhanças com o processo do escritor. Com a diferença que o escritor tem que desempenhar todos os papéis. E o desafio sempre é tentar criar personagens que se descolem de você. O que com certeza não é mole porque a única perspectiva que você tem é a sua. Como é que você consegue se imaginar no lugar de outra pessoa? Esse é o propósito de cada romance para mim, criar personagens.
Outra coisa que ando pensando cada vez mais ao ver o "Inside" é tentar escrever um roteiro. A minha eterna dificuldade é que todas as minhas histórias acontecem dentro da cabeça dos personagens. Vou continuar pensando. E vou estudar os filmes de que gosto muito mais. Quem sabe surge uma ideia disso. Boa parte das minhas ideias de estrutura vem de séries e filmes. De repente uma ideia de filme surja de um livro.

domingo, 3 de março de 2013

Desorientada

Só fui na livraria hoje, consequência de um roteiro que tive de traduzir a toque de caixa e só consegui terminar no meio do sábado. Trabalhei um pouco em um dos romances. Ainda não sei em que direção devo ir. Não consigo arrumar tempo para pensar no que vou fazer a seguir. Tomara que essa semana agora seja mais tranquila.