Reta final. Faltam duas cenas. A melhor coisa que eu podia ter feito foi mexer no resultado final da história. Isso acabou mexendo em várias outras coisas e criou uma tensão que não existia antes entre os dois personagens dessa metade do romance. Depois vou ter de voltar atrás na terceira versão e acertar os detalhes do conflito para que tudo seja consistente. Sim, dá uma trabalheira danada. O lado bom é que essas mudanças separam ainda mais a primeira metade da segunda. O que eu não quero de jeito nenhum é ter quatro personagens que são parecidos demais um com o outro. O momento também é perfeito. Fechando esta versão no próximo sábado, logo antes do início do festival, vou ter duas semanas para pensar no que escrevi antes de seguir para a terceira versão. E aí três semanas antes da próxima interrupção. E aí dois meses até o fim do ano. Eu tinha pensado que daria para fechar antes da virada do ano. Acho que esse plano saiu pela janela. Tudo bem. Primeiro trimestre de 2011 então. E será a hora de torrar o saco dos amigos para lerem o que escrevi.
domingo, 12 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Preenchendo os vazios
Eu confesso minha fascinação pelo dia 11 de setembro. Eu passei todo aquele dia e os dias subsequentes grudada na TV, vendo o que acontecia, não acreditando direito no que estava vendo. Foi um dia super confuso, de informações desencontradas. E com um acontecimento dessa magnitude, é fácil entender por que as pessoas criam teorias de conspiração, tentando dar conta de algo que é enorme e terrível e incompreensível. Em menos de duas horas quatro aviões bateram, deixando brancos, vazios sem respostas. Tem um documentário, The Falling Man, que trata disso de uma forma indireta. Ele trata da tentativa de um jornalista de identificar quem era o homem fotografado caindo de uma das torres e, ao mesmo tempo, trata das pessoas que se sabe que pularam dos prédios. Em todas as histórias das pessoas que pularam, há um vazio. Ninguém sabe exatamente o que as levou a pular, o que foram aqueles últimos momentos de vida. É esse vazio que ficou que as pessoas tentam preencher com algum tipo de narrativa. Que narrativa será essa depende de cada um. Mas o que me interessa é que de um jeito ou de outro, as pessoas odeiam que a história não seja contada até o fim. Tudo precisa ter um The End.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
How to be alone
Encontrei este vídeo no blog da Adriana Lisboa (valeu, Adriana) e achei o máximo. Tem tudo a ver comigo.
O homem mais desinteressante do mundo
Não me lembro agora quem foi que disse que Super-Homem era a identidade original e Clark Kent o disfarce. O disfarce não são só os óculos, é a pessoa inteira, que é para ser o homem mais desinteressante do mundo. Ele quer passar desapercebido, ser quase invisível. Eu sempre lembro do Christopher Reeve, aquele homem enorme, curvado, tentando parecer menor, com aqueles óculos enormes. E quando as coisas acontecem, todos prontamente se esquecem dele, toda a atenção é voltada para o Super-Homem. Passada a crise, lá está ele de novo, meio trapalhão, mas inofensivo, ajeitando a gravata. Na FLIP, às vezes, vejo pessoas decepcionadas com este ou aquele escritor por ele não ser uma figura muito interessante. Fui assistir Anne Enright em Paraty ano passado por admirar muito o trabalho dela. E me deparo com uma mulher que tem meio que essa cara de empregada, usando um vestido não muito bonito. A mesa acabou sendo meio morna, mas não fiquei decepcionada. Por baixo da aparência de faxineira deu para sentir que tinha uma pessoa super interessante. E o texto dela é maravilhoso. Não são todos os escritores que sabem dar show como o Will Self. Foi um lembrete para mim que muitas vezes fica difícil ver o Super-Homem. Mas ele está lá.
domingo, 5 de setembro de 2010
Cartas, reviravoltas, filmes
Acordo de manhã com a já tradicional algazarra do clube ao lado. Pelo menos ninguém estava tocando corneta hoje. Também acordo com a carta de uma amiga distante e querida na minha caixa de e-mail. Uma boa maneira de começar o dia. Ontem foi um bom dia. Percebi que a reviravolta que dei numa personagem semana passada precisaria ter consequências para o outro personagem na cena e trabalhei em cima disso. E quando saí da Argumento ontem à noite, cheguei num ponto em que não sabia direito para que lado prosseguir. Vou ter uma semana para refletir e tentar achar uma solução. Eu sei aonde quero chegar, o negócio é refazer o caminho já que eu joguei o caminho antigo fora. Essa realmente é uma daquelas semanas em que eu queria poder me dar o domingo também. Não vai dar. Tenho três filmes para traduzir. Faz parte dos dilemas de ser Clark Kent. Fazer o quê.
Amor que dói
Todo sábado quando chego em casa da labuta literária é a mesma coisa. Os cachorros estão pulando no portão, doidos para pular em mim. Todo sábado o diálogo é o mesmo. Tudo bem, a mamãe chegou. A mamãe chegou. Não, não, não metam as garras na mamãe. Não atropelem a mamãe. Você é grande e pesado. Faz dodói. Ai, não pisa no meu pé. Ai, por favor, não meta as garras na barriga da mamãe. Pois é, o amor dos filhos peludos pode ser um pouco doloroso, mas eu acho que compensa sempre.
sábado, 4 de setembro de 2010
O escurinho do cinema
Mais um lote de filmes para o Festival. Tudo documentário. Talvez alguns filmes de ficção mais para a frente. A coisa começa a esquentar. É uma chuva de filmes. A overdose de cinema começa agora. Devo ter uns cento e poucos filmes pela frente nos próximos dois meses. E depois as pessoas me perguntam se quero ir ao cinema ver tal ou tal filme. Não. Mas fez sucesso, ganhou milhões. Não. É com aquele ator que você adora. Não. Levou zilhões de Oscars. Não. Eu nem lembro qual foi a última vez que paguei ingresso para ir ao cinema. Nem sei quanto está custando um ingresso de cinema. São poucas as pessoas que entendem. Cinema virou trabalho. Não dá mais para relaxar. Alguém fala "festival de cinema" e eu automaticamente penso em quantos filmes vou traduzir, quantos vou lançar. O escurinho do cinema é um lugar para ficar apertando um botão para fazer aparecer a próxima legenda. Gee, do you want some popcorn with that? Acho que não. Vez por outra dou de cara com pessoas que acham que traduzir para cinema e TV é glamuroso. Talvez elas achem que eu conheça atores, diretores, roteiristas. Longe disso. Fico sentadinha no meu escritório o dia todo, ralando, minha bunda ficando mais quadrada a cada ano que passa. A compensação está não no trabalho em si, mas nas pessoas que conheci através do Festival, os outros tradutores, essa tribo meio doida com que me encontro nesta época do ano. A troca de e-mails malucos já começou. E só vai esquentar nas próximas semanas. É isso que eu curto, é por isso que espero o ano todo.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Passeando com o cachorro
Fim de tarde na sexta e começa a se instalar aquela preguiça, a antecipação do dia seguinte. Eu tiraria dois dias para descansar, mas já tenho coisas suficientes se acumulando na minha caixa de entrada para me fazer pensar duas vezes. Tenho de revisar meu filme do Festival para poder pegar outro, uma entrevista para entregar, um bom pedaço de um livro para adiantar, outras coisas. O que vou fazer é tentar chegar mais cedo na Travessa para render o máximo possível. Imagino que a livraria vá estar mais tranquila por causa do feriadão. Fica melhor de trabalhar assim. E depois vamos mandar ver no domingo de novo. Daqui a pouco vou parar para fazer o jantar. No cardápio, um curry verde de frango com batata doce e jiló. É muito bom. Mas primeiro, preciso levar o Wilson para passear. Minha baleia peluda gosta de esticar as pernas todo dia nesse horário ou ele fica chateado.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Curiosidade
Curiosidade não é uma qualidade que as pessoas costumam atribuir a tradutores. Talvez não seja para tradutores técnicos ou juramentados, mas para quem faz tradução para cinema ou TV acho que é tão necessário para a função quanto um bom comando de outros idiomas. Minha curiosidade de criança que ficava vendo e revendo aqueles livros da Time-Life sobre Grécia e Egito e Roma nunca foi embora e a coisa que eu mais gosto da Internet é poder pesquisar qualquer assunto em cinco segundos. Não vejo muita utilidade no Facebook ou Twitter, mas a Wikipedia é o máximo. E outra das grandes utilidades da Internet é poder achar documentários da BBC para baixar. Este mês que passou assisti um documentário sobre as origens literárias do Rei Artur, uma série sobre os normandos e como eles afetaram a história e a cultura da Inglaterra, sul da Itália e as Cruzadas, outra série falando de caminhadas a locais normandos na Inglaterra, uma série maravilhosa sobre a ocupação romana da Inglaterra e agora vou embarcar numa série sobre o mundo antigo e outro sobre a mentalidade medieval. Também descobri uma série semanal sobre escavações arqueológicas acontecendo agora na Inglaterra. Eu sempre fui fanzoca de arqueologia, de como se cria toda uma narrativa a partir dos cacos de uma vida anterior. Minha amiga Claudia diz que é isso o que faço quando escrevo, a arqueologia das pessoas e sua bagagem. Eu sempre acho impressionante que, em lugares que tiveram uma ocupação contínua por milênios, quando você cava, encontra camadas e mais camadas de restos de coisas que as pessoas foram deixando, desde a pré-história até agora. Quanta coisa já foi feita, quanta coisa ainda está por ser feita. Mal posso esperar para ver.
Resumo perfeito
A Isabel Coutinho fez um resumo perfeito do que foi a FLIP no blog dela. O texto da Isabel você encontra aqui.
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