Eu achei ontem uma descrição perfeita da mesa do Salman Rushdie, escrita pela jornalista portuguesa Isabel Coutinho no blog dela. Eu já comentei sobre a mediação do Sílio Boccanera, que não foi tão boa quanto poderia ser. Para mim, o que acabou ficando como o destaque da mesa foi Rushdie chamar ao palco o filho, todo envergonhado, no início da mesa, para exibi-lo ao mundo. Foi uma coisa carinhosa e muito típica de pais orgulhosos. Achei uma gracinha. Bom, para saberem mais da mesa 10, com a palavra, Isabel Coutinho.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Cinco dias
Paraty significa uma série de coisas para mim. É um dos poucos lugares onde minha cabeça silencia. No Rio, assim que eu saio de casa, começo a pensar no texto que estou escrevendo e se tenho a chance de sentar em algum lugar, é quase inevitável que eu comece a escrever. Mas em Paraty, sentada no café da Tenda dos Autores ou no Café Paraty, eu me contento em ficar quieta, vendo a vida passar. Os cinco dias da FLIP acabam virando um tempo para eu descansar mentalmente, esvaziar a cabeça. Cada dia parece ser muito longo e vale por dois. Tenho dificuldade para lembrar o que fiz no dia anterior, que parece ter sido há séculos. Eu gosto das mesas da FLIP muitas vezes porque me permitem descobrir escritores que eu não conhecia. Em 2005, eu não conhecia Salman Rushdie e gostei muito do texto dele. Também não conhecia Will Self ou David Grossman ou Ronaldo Correia de Brito ou Gonçalo Tavares. Para mim, essa descoberta de novos escritores é uma das melhores coisas da FLIP. E é sempre uma chance de poder observar as pessoas. Num lugar com 20 mil pessoas, há sempre várias figuras interessantes. Este ano foi um dos intérpretes de estátua viva vestido de Jack Sparrow e que imitava perfeitamente os gestos do Johnny Depp. E tem sempre a comida do Thai Brasil cuja morte prematura foi anunciada nos jornais, mas continua vivo fora do Centro Histórico e servindo pratos deliciosos. Fui lá toda noite e fui recebida com enorme carinho. Comer bem é sempre um componente importante da viagem a Paraty. São cinco dias em que posso descansar, esvaziar a cabeça e recarregar a bateria para o que vou enfrentar na segunda metade do ano. E é sempre uma delícia.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Mesa 8, os estrangeiros
O que me pegou nas mesas deste ano é que quase todas tocavam em alguma coisa que me interessava literariamente. A mesa com William Boyd e Pauline Melville me interessou por juntar literatura e a condição de ser estrangeiro em sua própria terra, uma sensação que conheço bem. E acho que dava para ver nos dois escritores que eles não são pessoas que estão completamente à vontade no mundo. E isso é algo que me interessa. Gosto de personagens que estão deslocados, que não estão à vontade na situação em que se encontram, seja um casamento, um país, um emprego. Tem algo incomodando e é esse incômodo que vai mover a história. A leitura do trecho do romance da Pauline Melville descrevendo a queda de um avião foi impressionante, mas ainda mais impressionante foi a descrição que ela fez de um ataque que ela sofreu em seu apartamento há alguns anos, especialmente porque ela se manteve calma e racional e até conversou com o seu agressor. Muito louco. Eu já tinha ouvido falar do William Boyd há alguns anos, o romance dele Any Human Heart está na listagem do The Guardian de 100 livros que você precisa ler. E a cereja do bolo foi a pequena aula que ele deu da classificação dos diferentes tipos de contos. Essa parte foi bem iluminadora.
domingo, 15 de agosto de 2010
Mesa 4, Allende e Antonio Banderas
Eu já falei sobre a mesa da Isabel Allende, que foi divertidíssima. E acho que muito disso se deveu à mediação do Humberto Werneck, que basicamente a entrevistou com bom humor e carinho. Acho que ele estava se divertindo tanto quanto o público. Nem sempre escritores são personagens interessantes. Muitas vezes eles são apagados e tímidos, ainda mais jogados na frente de uma plateia de 600 pessoas. Isabel Allende não é nada apagada, muito pelo contrário. É uma mulher vaidosa, extrovertida e sempre tem muito o que dizer. Algumas das partes mais divertidas da mesa tiveram a ver com sua vida particular, como quando ela descreveu como o marido pensa que fala espanhol e acaba contaminando o texto que ela escreve com o seu "espanglês". Daí ela tem de mandar alguém revisar seu texto para remover as influências do marido. E perguntada se ela ainda era apaixonada por Antonio Banderas, ela não titubeou, disse "sim" na lata. A gargalhada foi geral. Foi uma ótima maneira de terminar o meu primeiro dia de mesas.
Totens na noite
Eu gosto do frio que anda fazendo. Gostei que fez frio durante quase toda a FLIP. E nas noites de sábado, quando saio da Argumento por volta da meia-noite, sentindo a satisfação de um bom dia de labuta literária, adoro sentir aquele frio da noite, 16, 17 graus, e passar pelos fradinhos pintados de totens do Pacífico Sul por algum grafiteiro a caminho do supermercado para comprar meu suprimento semanal de coentro e cebolinha e frango e, quem sabe, um pouco de Ruffles de cebola ou sorvete de chocolate da Kibon que eu não sou de ferro. E agora estão tirando os fradinhos e fico me perguntando quando é que vão sumir os meus totens. Eles meio que viraram meus amigos. Quando passo por eles, eu sempre avalio como foi meu dia, procuro aquela sensação de satisfação que frequentemente vem à tona justo na hora de atravessar a rua. E se eu penso, Life is good, e tenho vontade de sair pulando pela rua, então foi um bom dia. Tomara que demorem para retirar os totens porque minha rotina do sábado não será mais a mesma sem eles.
Sutileza
Este sábado foi um bom dia. Escrevi coisas novas, inspirada pela releitura de We Need to Talk About Kevin, agora já devidamente autografado pela Lionel Shriver. O surgimento de cenas novas é sempre um bom sinal para mim. O que eu vejo mais uma vez é o quanto esse último personagem já está fixado na minha cabeça ao contrário das duas personagens do meio, cuja coerência eu ainda estou buscando. Aos poucos, acho que estou entendendo a cabeça delas, o que provavelmente significa ter de reescrever pedaços enormes do texto, mas eu não ligo. O desafio é que me interessa. Uma das coisas que eu falei para Lionel Shriver em Paraty enquanto estava alugando ela é que muitas vezes o que fica mais para mim de um livro é a estrutura, especialmente uma estrutura que é essencial para o entendimento do livro. O grande barato do Kevin é que como é um livro epistolar, você acaba supondo um monte de coisas sobre o casamento da protagonista Eva, sobre onde estão o marido e a filha dela depois da separação. E nisso, você acaba enganado sobre uma série de coisas e ela consegue dar a grande surpresa do livro lá no final. Kazuo Ishiguro é outro escritor que eu admiro muito por só nos contar parte da história. Mas ele usa isso com outro efeito. Por exemplo, em The Remains of the Day, narrado em primeira pessoa por Stevens, o mordomo e protagonista da história, a ideia é manter a fachada impecável do mordomo e ocultar tudo aquilo que poderia manchar isso. É só na reação de outros personagens que você descobre o que Stevens não está contando. A verdade é que por mais que eu admire esses escritores, nunca consigo escrever desse jeito. Na vida, assim como na literatura, eu sou uma matraca. Tenho de contar tudo até o fim. Sutileza nunca foi muito comigo. Talvez eu acabe aprendendo um dia.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
15 minutos
Acredite se quiser, vou ter meus 15 minutos de fama. Serei entrevistada na Rádio Nacional 1130 AM pelo Oswaldo Sargentelli Filho neste sábado, ao meio-dia e o programa vai até às 14h. Vou falar principalmente da FLIP. Se vou pagar mico ou não, não sei. Acho que depende do quanto eu fique nervosa. De todo modo, assim que terminar, vou direto para a Travessa. Desconfio que se fico tempo demais longe de lá, começo a ter uma crise de abstinência. No domingo, durante uma das mesas, começou a vir um texto muito forte e quero terminá-lo porque não tive tempo para mais nada naquele domingo já que ia viajar de volta às 21h. Preciso retomar o romance, estou começando a ficar impaciente com todas as interrupções que tenho sofrido ultimamente. Mas este sábado eu vou produzir bastante ou vou ficar muito pê da vida.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Mesa 3, os brasileiros
O que eu achei legal da mesa 3 é que apesar dos três escritores, Beatriz Bracher, Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes, não terem muita coisa em comum literariamente, ainda assim foi uma mesa super interessante. Talvez até pelo fato dos três serem brasileiros. Reinaldo é uma figura interessantíssima, cheio de histórias engraçadas. Já tinha visto o Ronaldo em 2005 e gostei muito do texto dele. E tenho muitos livros da Beatriz. Mas o que ficou para mim foi a questão de como o projeto literário sempre que fica sujeito às circunstâncias, à conjunção dos fatores. Por exemplo, o Ronaldo contou de como tinha uma ideia para um conto inspirado por um paciente que ele tratou, mas que só conseguiu ser escrito quando ele reuniu todos os elementos que precisava. E todos eles tinham histórias semelhantes para contar. Gosto da ideia de que há sempre algo de imponderável na escrita, algo que não controlamos completamente, sendo escritores experientes ou não.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Mesa 2, crimes e escolhas
A Mesa 2 foi a minha primeira. E, sinceramente, era a Lionel Shriver que eu queria ver. Até tinha há alguns anos chegado para o curador da FLIP e sugerido o nome dela. Gosto do texto dela, do seu senso de humor e sentia que esta seria uma mesa interessante. E foi. O mais engraçado foi o mediador, Arnaldo Bloch, dando uma de tiete da Lionel. Ele claramente gostou de The Post-Birthday World, algo que ele reiterou hoje no Prosa na Livraria desta noite. O que ficou para mim de mais forte dessa mesa foi o tema das escolhas, tanto a escolha amorosa, quanto a escolha de ter ou não um filho, a escolha de cometer ou não um crime. E gostei de algo que a Patrícia Mello falou, de que muitas vezes você não parece ter uma escolha, mas na verdade só não quer enxergá-la. Esse é um tema que anda me interessando bastante por conta do que estou escrevendo agora.
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