sexta-feira, 18 de março de 2011

Para variar

Amanhã, para variar, Travessa. Mas com um adicional. Uma amiga de São Paulo vem me visitar na Travessa neste sábado. Ainda estou debatendo se levo o laptop comigo ou não. Estivemos juntas pela última vez no dia em que voltei de Sampa ano passado. Adoro nossas conversas, especialmente quando pode ser em volta de uma mesa de jantar. Pelo menos quando uma visita a outra podemos tirar a saudade.

domingo, 13 de março de 2011

Brunch

Hoje é o aniversário de uma grande amiga minha que mora nos Estados Unidos. E acordei hoje pensando nela, lembrando da vez em que ela me levou a um restaurante perto da casa dela em Chicago para um brunch. Eu me empanturrei de panquecas com maple syrup, sabendo que não teria chance de fazer isso de novo tão cedo. Gostaria muito de poder sair com ela hoje, comer um brunch, conversar, dizer besteira. É disso que mais sinto falta aqui na minha fortaleza da solidão, de poder ter essa troca mais vezes, o chopinho sem compromisso no bar numa sexta no fim do dia. E também tem um lado meu que quer ficar de lado, só observando o que acontece à minha volta. Hoje acordei com uma vontade enorme de sair andando por aí, ver gente. Não vai dar. Preciso trabalhar. Tem dias em que ser freelancer é uma merda.

Estiva

O Super-Homem voou bem alto no sábado. Foi um dia fantástico. Não só terminei a primeira leitura do romance como consegui escrever duas cenas. Estou começando a sentir que esses personagens precisam de uma base maior para se estabelecerem, poderem respirar de verdade. Está na hora de preencher os claros, botar as filigranas, os detalhes mais finos que dão vida ao texto. No caso da primeira metade, ainda está faltando falar mais do passado. Na segunda metade falta desenhar mais as relações entre os personagens. As cenas que escrevi hoje já começam a me dar isso que eu preciso. Daqui pra frente é tudo estiva. Ler e reler o texto, fazer correções, botar as correções no arquivo, gerar nova cópia do texto, começar nova leitura, escrever as cenas que estão faltando. O texto inevitavelmente vai ficar um tempo na gaveta. Vou dá-lo para uma amiga fazer uma leitura e, nesse meio tempo, vou trabalhar no próximo romance na fila. Tudo o que eu mais queria era voltar para a livraria amanhã e continuar escrevendo, mas me caiu uma tonelada de trabalho na cabeça na sexta. Preciso do dia inteiro para adiantar esse volume todo de serviço. Clark Kent sofre, coitado.

sábado, 12 de março de 2011

Sábado at last

Graças a Deus é sábado. Minha sexta foi uma loucura de trabalho. Estou morta. Preciso do dia de hoje para relaxar, descansar. Ainda bem que existe a Travessa. Acho que ficaria maluca se eu não parasse ao menos uma vez por semana. Não está chovendo como eu gostaria, mas pelo menos não está mais aquele calor sufocante. Até consigo passar um bom tempo sem ligar o ventilador, o que é uma maravilha para minha conta de luz. E fico enormemente grata que não vai haver desfile de blocos em Ipanema. Quero um sábado o mais tranquilo possível. Estou precisando. Agora com licença, porque o Super-Homem precisa voar um pouquinho. Não esquentem, ele vai ali e já volta.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Pegando táxi a unha

O carnaval passou. Ainda bem. Foi ótimo ter três dias para escrever na Travessa. Menos divertido foi ter que pegar táxi a unha no meio da rua porque Ipanema estava cheia de gente querendo táxi também e eu tinha de driblar as turbas carnavalescas e um tanto alegres demais. Teve dia em que tive de sair correndo pelo meio da rua feito uma alucinada para pegar o único táxi vazio na cidade. Pelo menos não terei problemas para ir para casa no próximo sábado. O bom é que já estão me ocorrendo algumas ideias para eu resolver os problemas da terceira parte. A hora em que levo o Wilson na rua é sempre uma boa hora para refletir sobre questões literárias. Desde que ele não me puxe muito pela coleira, claro.

terça-feira, 8 de março de 2011

Terça molhada

Manhã de chuva. Terça de carnaval. Se a Travessa não estivesse fechada, minha tentação seria de ir direto pra lá, tentar ver se consigo dar um jeito na terceira parte do romance. A verdade é que essa sempre foi a personagem mais complicada, aquela de quem nunca tive uma visão muito clara. Fiquei muito em cima do luto e não tratei de outros temas importantes, outras questões. Está faltando a nostalgia que essa personagem teria pelo passado. E ao mesmo tempo, depois da intensidade do primeiro romance, fica complicado achar o tom do segundo. Fico achando que tem emoção de menos. Não sei. Posso estar errada. Afinal, o primeiro pode ser uma pancada na cabeça. Não dá para ter essa intensidade de emoção em tudo o que se escreve. Fica insuportável. Vamos ver o que acontece quando eu terminar de ler tudo no próximo sábado.

Dispersa

Mais um dia na Travessa. Cheguei mais tarde do que eu queria por coisinhas que me atrasaram em casa e talvez por isso eu tenha ficado um pouco dispersa, sem conseguir me concentrar como eu queria. Ou pode ter sido efeito colateral de mais uma noite em que não dormi tudo o que queria. De todo modo, estou bem insatisfeita com o que li até agora da terceira parte do romance. Muita repetição e é um tal de bater na mesma tecla de novo e de novo. Minha personagem está muito chata. Preciso achar outras coisas para ela dizer. Pelo menos durante o jantar já me ocorreu o início de uma outra cena. Já é um começo. Agora, só no próximo sábado.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dor em mel

O escritor Michel Laub publicou um texto no blog da Companhia das Letras sobre a relação entre autobiografia e a obra do escritor. Não concordo com a ideia de que tudo o que se escreve é biografia. Continuo achando que o exercício do escritor é como o exercício do ator, mas ainda assim é um texto interessante. O texto do Michel Laub pode ser encontrado aqui.

domingo, 6 de março de 2011

Capitão Planeta na folia

Voltando para casa hoje depois de um dia produtivo na livraria, me senti meio alienígena no meio dos foliões que sobraram dos blocos que passaram pelo bairro. De blazer e toda de preto ainda por cima. Vi gente vestida de tudo quanto é jeito, inclusive um sujeito com uma roupa de Capitão Planeta, a cara pintada de azul. Os vendedores da Travessa também mantêm uma tradição de se fantasiarem no carnaval. E algumas fantasias fazem sucesso e ficam passando de mão em mão. Ontem foi um chapéu de pirata que vi em vários vendedores. Hoje foi uma peruca black power com flores brancas que passou de mão em mão com uma frequência que demonstrava claramente sua popularidade. Quase no fim do expediente, com a livraria quase vazia, até um dos seguranças botou a peruca e fez uma imitação razoável de Toni Tornado. Quem não está acostumado ao esquema da Travessa deve achar estranho. É uma das poucas coisas que ainda me divertem no carnaval.
De todo modo, independentemente da zona que está nas ruas, os últimos dois dias foram imensamente produtivos. Terminei de digitar todos os textos e comecei a reler o romance. Cheguei quase na metade do texto e, ainda por cima, escrevi um pedaço do romance que se passa em um só dia cuja ideia eu tive outro dia. É incrível como o texto veio fácil, praticamente sem esforço. Comigo é sempre a mesma coisa. Quanto mais eu escrevo, mais eu quero escrever. Uma ideia puxa outra e mais outra e eu fico doida para registrar tudo isso. No sábado eu escrevi mais um pedaço do próximo romance. Como acho meio inevitável botar o romance atual na gaveta por um tempo, vou trabalhar nele enquanto isso. Como ele se baseia em algo que escrevi há vários anos, uma parte da história já está desenhada, a que se passa em 2009. A que se passa em 1989 nem tanto. Não quero que essa parte de 1989 seja apenas um flashback. Quero que seja uma história com começo, meio e fim, mas ao mesmo tempo tem que se encaixar com o que acontece em 2009. Como eu vou fazer isso? Não faço ideia. Desconfio que 1989 vai se desenhar melhor quando eu fechar o desenho de 2009. Amanhã tenho mais um dia na livraria. Quero ver se consigo chegar mais cedo amanhã. Com mais horas de trabalho eu posso terminar a primeira leitura do romance.

sábado, 5 de março de 2011

The daily grind

Os americanos têm essa expressão: the daily grind. E essa é a sensação que eu tenho no final da semana, que fui triturada e estou em pedacinhos. O sábado é absolutamente necessário para me remontar e conseguir aguentar mais seis dias de batalha. E é uma batalha por cada centavo porque o tipo de tradução que eu faço não é lá muito bem pago. Com algumas exceções, ainda bem. O carnaval é um presente dos deuses. Pretendo me dar três dias inteiros de folga. E o melhor de tudo é que o tempo finalmente virou e está chovendo depois de séculos de calor insuportável. É um alívio acordar com uma chuvinha fina em vez daquele sol filho da mãe. Vou sair daqui muito feliz para a livraria. Com o carnaval, ela deve estar bem vazia, apesar da chuva. Já fui mais interessada no carnaval, assistia todos os desfiles. Agora só quero a chance de descansar e escrever. Pretendo aproveitar essa chance ao máximo.