Roland Barthes falou sobre o ritual propiciatório da escrita em O Império dos Signos. E esse ritual tem tudo a ver com deixar sua cabeça no ponto para escrever, permitir que as ideias possam fluir da forma mais livre e desimpedida possível. Meu ritual passa pela antecipação, essa ansiedade para que o sábado chegue logo para que eu possa vestir meu collant azul, a capinha vermelha. Escolho minha roupa com antecedência, coloco-a de lado, considero se vou levar algum livro extra na mochila, penso na melhor hora de sair de casa para aproveitar ao máximo o tempo que tenho. Depois tem o banho, vestir a roupa que escolhi, que é meio que meu disfarce para o dia, pois ninguém pode saber que sou o Super-Homem, e aí chegar em Ipanema, comprar os suplementos literários do dia, atravessar a rua e me instalar em uma de minhas mesas de sempre, pedir uma Coca Light. O trabalho da escrita pode começar então.
sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Árvore
Hoje, voltando para casa, passei pela árvore de Natal sendo montada na Lagoa e que deve ser inaugurada semana que vem. Morando sozinha há uns 15 anos, eu nunca vi muito sentido em decorar minha casa para as festas, ainda mais porque há muito tempo eu parei de curtir esta época do ano. Mas eu gosto da árvore da Lagoa, gosto de passar por ela a caminho de casa nos sábados e depois que a removem no início de janeiro, sinto sua falta pelo resto do ano. É um pouco como se ela fosse a "minha" árvore de Natal. Não sei explicar direito, mas é assim que me sinto.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Gastronomia
Minha passagem por São Paulo terminou de maneira triste, mas uma coisa que eu curti enquanto estive lá foi sair em busca de restaurantes diferentes, especialmente os de culinária típica. Tive algum sucesso com alguns lugares, menos em outros. Por exemplo, entendi porque eu odeio Miojo Lamen. O original que vem fora de um pacote também é uma droga. Mas já sei onde devo voltar ano que vem e trazer companhia para o jantar. O que é um tanto curioso já que aqui no Rio eu não saio em busca de restaurantes diferentes. Eu tenho minha rotina e é difícil eu me afastar dela. Isso apesar de eu adorar a boa gastronomia. No meu passado negro como filha de diplomata, eu costumava almoçar em restaurantes de crepes e restaurantes japoneses. Viajei para vários países, experimentei todo tipo de comida e sinto falta disso quando passo muito tempo sem ir a um bom restaurante. Cingapura, por exemplo, era um verdadeiro festival gastronômico com quiosques espalhados por toda a cidade vendendo comida chinesa, malaia e indiana. Eles faziam a comida na sua frente e era barato a não mais poder. Eu passava o dia indo de quiosque em quiosque, me entupindo de comida. Hoje lamento não ter experimentado mais tipos de comida e ter ficado na comida chinesa. Agora quero inaugurar um novo tipo de exploração culinária. Comprei um wok em São Paulo e quero tentar ver se consigo aprender a fazer comida tailandesa. Pior do que a comida que tento fazer em casa não pode ser. Veremos o que vai acontecer nos próximos meses.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Timeless
Nessa época do ano começam a aparecer aquelas listas de melhores do ano (e imagino que melhores da década, embora na prática a década só começou mesmo em 2001) em revistas e blogs e coisa e tal. Nunca vou fazer uma coisa dessas. Eu não lembro o que estava lendo no início deste ano, nem que filmes eu vi, nem nada disso. O tempo, para mim, é uma dimensão um tanto misteriosa. Ele passa e não consigo registrar o que aconteceu quando. Se alguém fosse me perguntar o que eu estava fazendo no dia tal num julgamente de assassinato como fazem nessas séries de TV eu estaria fudida. A única coisa da qual eu tenho certeza é de que em fins de setembro, início de outubro eu estou no meio do Festival do Rio e em início de julho eu quero estar na FLIP, em Paraty. Fora isso, esquece. Talvez isso tenha a ver com o fato de que nos primeiros anos da minha vida, enquanto ainda estávamos nos mudando de país para país por causa do trabalho do meu pai, os eventos eram marcados não pela data em que aconteceram, mas onde aconteceram. Os dois tremores de terra que senti foram na Costa Rica, a separação dos meus pais aconteceu em Nova York assim como uma maior consciência da arte, minha grande explosão de leitura que me levou a escrever seis meses depois aconteceu numa viagem a China, minhas primeiras lembranças são todas de Nova Orleans. É tudo geográfico. Tenho poucas datas. Acho que isso até certo ponto se reflete no que eu escrevo. Os flashbacks vêm tão facilmente quanto os eventos do tempo presente e tudo é um pouco solto no tempo e no espaço. Mas é orgânico na história. Se não for orgânico, cai fora.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Convivência
Toda nova relação tem seus probleminhas. Você começa a conhecer o outro, o que ele ou ela prefere, gosta de fazer, manias. Exemplo: toda vez que eu deito na cama, o Wilson e a Zequinha acham que isso é um sinal de que quero brincar com eles e prontamente tenho os dois em cima de mim e o Wilson tentando comer o meu pé. Tentar dormir com o pé babado e dois cães em cima de você não é muito agradável. Demora um pouco para convencê-los que estou mesmo tentando dormir. Sair de casa também não anda muito fácil. O Wilson, que é um cachorro de certo porte e forte, passa direto por mim e vai se instalar na porta de casa. Não posso deixá-lo dentro de casa, onde ele pode batizar tudo o que quiser. Claro que não adianta simplesmente mandá-lo sair para o pátio. O único jeito de fazê-lo sair é botar a coleira nele e levá-lo até o pátio, onde ele prontamente sai correndo, feliz da vida. Eu não entendo nada, mas pelo menos assim posso sair de casa. Enquanto isso, a Zequinha não entra no escritório de jeito nenhum. Outra coisa que é engraçada é como o Wilson adora ir para o portão da frente do prédio, ver o movimento das pessoas na rua. Ele é o cão mais sociável que eu já tive. E assim vai, dia a dia, eu vou descobrindo mais e mais sobre eles e acho que eles sobre mim.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Back in Rio
Fui a um evento esta noite. E saindo do local do evento senti uma espécie de choque. Após duas semanas naquela coisa interminável que é a Paulicéia, o Rio subitamente me pareceu muito pequeno. Em certos sentidos, o Rio é uma província se comparado com São Paulo. Mas em Sampa há uma coisa meio travada, dura, que me incomoda. Exemplo: estava tirando fotos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. De repente apareceu uma mulher do meu lado, funcionária da loja, que me disse que eu teria de pedir permissão oficialmente para poder tirar fotos dentro da loja. A mesma coisa aconteceu dentro de um dos cinemas, quando tentei tirar fotos do movimento para o meu registro fotográfico da Monstra. Se a gente estivesse numa base militar, eu entenderia perfeitamente, mas qual o problema de tirar fotos do público de um cinema ou do dragão pendurado numa livraria? Eu canso de tirar fotos durante o Festival do Rio e o pessoal aqui não dá a menor pelota. A mesma coisa na Livraria da Travessa. Esse tipo de rigidez me desagrada. Impossível ver na Cultura as brincadeiras que vejo entre os funcionários na Travessa, os gritos de gol no fim de semana quando deixam uma das TVs que mostram DVDs no jogo do dia. Essa descontração faz parte do que torna a Travessa minha livraria preferida. E apesar daquela maravilhosa seleção de livros em inglês, a Cultura nunca vai conseguir igualar o Travessão em termos de conforto, bem-estar, informalidade, o clima gostoso que eles criam lá dentro. Por essas e outras, minha lealdade será eterna.
Afinal
Finalmente tive meu dia na Travessa depois de três semanas de ausência. Foi como voltar para casa. Sentei na minha mesinha de sempre, pedi a Coca de praxe, saquei dos meus livros e cadernos, tentei voltar para a história que tinha deixado em ponto morno quando fui a São Paulo. Até escrevi alguma coisa em São Paulo, em geral na Cultura, quando tinha alguns poucos momentos entre sessões. Mas não passou de duas páginas. Vou ter de entrar de novo no clima da história, dos personagens. Agora que acabou a trabalheira toda, posso afinal voltar parte da minha cabeça para o novo romance, para tudo que eu tinha maquinado antes de viajar. Eu fiz anotações, vou consultá-las. Semana que vem devo produzir mais. Por enquanto vou aproveitar que não tenho trinta trabalhos para fazer e descansar um pouco.
domingo, 15 de novembro de 2009
Aniversário
Faz uma semana que fui à Lagoa com minha heróica amiga Claudia e sua filha Angela para enfrentar um calor insuportável e buscar os novos moradores da casa. Bom, as "crianças" estão aqui. Wilson, o macho, tem 4 anos e prontamente se instalou como se tivesse morado aqui a vida toda. Zequinha, a fêmea, tem aproximadamente 9 anos e ainda está um pouco hesitante, tímida. Ela passa a maior parte do tempo na minha cama e quando levanta, só vai até as vasilhas de ração e água ou até a metade do pátio. Mas ela já está começando a se soltar um pouquinho, pulando em mim, brincando um pouco com o Wilson. Acho que ela passou muito tempo em abrigos e fica meio difícil para ela confiar nas pessoas. O curioso em ter diferentes cachorros ao longo dos anos é que você realmente vê como cada um tem sua própria personalidade, seu próprio jeito, manias, preferências. Quem não tem bichos de estimação talvez não entenda isso. E também não vai entender o que eles significam para quem os têm. Eu não esqueci Dax ou Neguinho. Ainda lembro deles, lembro deles todo dia. Mas ao menos posso dar uma casa e uma nova vida para esses novos cães, para que eles tenham carinho e atenção.
sábado, 14 de novembro de 2009
Sobrecarga
Acho que nunca fiquei sobrecarregada dessa maneira e por tanto tempo. Vida de freelancer significa que você vai aceitando os trabalhos que lhe oferecem. Com anos de prática, fui aprendendo a equilibrar os trabalhos e quantos aceitar de cada vez. Mas de repente recebi uma avalanche de ofertas de trabalho em comparação com o início do ano, quando parecia que o mundo havia me esquecido. E fui aceitando tudo o que me ofereciam. Resultado: passei os últimos três meses trabalhando feito uma louca, numa maratona ainda mais cansativa que a maratona de dois festivais de cinema seguidos. Fiz de tudo, de tradução de séries de TV a versão de roteiros a editoração de um livro. E tudo aparentemente ao mesmo tempo. Minha roommate em São Paulo, Livia, pode atestar que dormi muito pouco durante a Mostra. Na verdade, eu já não estava dormindo direito desde o Festival do Rio. Ou seja, tenho muitas horas de sono para recuperar. Farei isso aos poucos nas próximas semanas.
Mas afinal essa super hiper ultra maratona chega ao fim neste fim de semana e vou começar a semana que vem com apenas uma tarefa. Férias, at last. E poderei curtir meus novos cães afinal.
Mas afinal essa super hiper ultra maratona chega ao fim neste fim de semana e vou começar a semana que vem com apenas uma tarefa. Férias, at last. E poderei curtir meus novos cães afinal.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Caras novas
Fui ontem ao Parcão na Lagoa e voltei com alguns novos moradores. São o Wilson e a Zequinha. Eles são muito fofos, cachorros resgatados da rua e que eu adotei ontem. O Wilson já se instalou como se sempre tivesse morado aqui. Zequinha ainda está um pouco tímida, mas hoje já dá alguns sinais de estar menos amedrontada com a súbita mudança após passar boa parte da vida em um abrigo para animais. Por enquanto, ela está instalada na minha cama, na colcha que ainda deve ter o cheiro da Dax e do Neguinho. Mas imagino que no final da semana ela já esteja se sentindo perfeitamente à vontada na casa nova. Vou tirar fotos deles e colocar aqui no blog em breve.
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