quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A vida e a escrita

No The Guardian, uma coluna linda sobre a arte de escrever e de como a vida entra naquilo que escrevemos. Aproveito para citar um pequeno trecho:
But stories are there to be told, and each story changes with the telling. Time changes them. Logic changes them. Grammar changes them. History changes them. Each story is shifted sideways by each day that unfolds. Nothing ends. The only thing that matters, as Faulkner once put it, is the human heart in conflict with itself. At the centre of all this is the possibility, or desire, to create a piece of art that talks to the human instinct for recovery and joy.
A coluna pode ser encontrada aqui.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

The week in review

Esta semana que passou foi uma de fortes emoções. No reencontro com minha amiga de mais de vinte anos foi meio inevitável olhar para o passado e repassar não só a nossa história de amizade, mas tudo o mais que aconteceu nesse tempo, o que, me ocorre agora, é uma idéia muito usada em contos e romances porque é algo natural e verossímil. Talvez até use isso numa coisa que ando pensando em escrever. Mas para mim, o importante foi ver que mesmo sendo uma amizade à distância, quando estamos juntas, nossa sintonia não muda e acho que é até melhor agora do que quando nos conhecemos. Isso, para mim, valeu a viagem.

domingo, 13 de setembro de 2009

Cartas, o retorno

Eu adoro correspondência, receber cartas de amigos pelo correio ou por e-mail, adoro usar cartões postais que me mandaram como marcador de livro ou para marcar onde estou no meu caderno. O que eu ocasionalmente esqueço é que as cartas também são uma máquina do tempo. Você se depara com eventos e emoções que esqueceu, histórias que ficaram um pouco diferente na lembrança com a passagem do tempo. Hoje vou ler cartas e mais cartas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nadando

Lendo um pouco do romance Swimming, de Nicola Keegan, antes de dormir, encontrei um trecho que achei genial. Nunca tinha lido nada parecido.

I'm nine months old and the longest I've slept at one time is one hour and forty-three minutes. I think my name is Boo, but it's not. It's just one of the many things I'll be called: Boo, Mena, Phil, Pip, but the name on my birth certificate, Philomena, has four syllables and will be the first major disappointment in my life. No one will use it until I get to school and the nuns insist. I have various hobbies that consume me: kicking, screaming, pulling things down, kicking again, crying. Lately, I've been experimenting with howling like a wolf. I sit up in my crib three hours before dawn, grab the bars with both fists, and keen at the moon. I've started to pull myself around on the floor and, when no one is looking, roll myself up in electrical wire, get my fingers stuck in air-conditioning vents, and scream until someone yanks me out. Yesterday, I gnawed down half a candle, pooping it out this morning with horrible grunts as my mother wept: I just turned my head for a second.

Reencontro

Hoje pude me reencontrar com uma amiga de longa data a quem não via há muitos anos. De repente foi como se tivéssmos nos encontrado ontem. E, ao mesmo tempo, estamos em momentos bem diferentes de nossas vidas. O chato vai ser ter de me reacostumar com a sua ausência depois que ela for embora.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

I love the smell of new books in the morning

Não há nada melhor que receber logo cedo de manhã um livro que você encomendou pela Livraria Cultura e esperou meses para chegar. E você não só recebe o livro, como ganha uma folha de plástico bolha para estourar de brinde. Aí voce abre o livro e dá uma lida nas primeiras páginas e antecipa o prazer que terá ao lê-lo. Logo, logo, vou botar esse livro na mochila e levar para a Travessa para ler aos sábados.
By the way, o livro que eu recebi, Swimming, de Nicola Keegan, foi uma indicação da Adriana Lisboa no blog dela. Valeu, Adriana.

domingo, 6 de setembro de 2009

Domingo

Acordo cedo e tudo o que eu quero é poder voltar para a Travessa, escrever mais um pouco. Mas aí olho para a pilha de coisas que preciso entregar esta semana sobre a minha mesa e sei que não vai dar para "matar o trabalho". Por outro lado, esse intervalo de uma semana está tão perfeitamente instalado na minha rotina de escrever que eu desconfio muitas vezes que eu preciso desses sete dias para processar todas as ideias que me passam pela cabeça e deixá-las no ponto para minha próxima ida ao escritório. Agora vamos à luta.

The Gathering


Eu li The Gathering, de Anne Enright em fins de 2007, curiosa porque não só o livro ganhou o Booker Prize daquele ano, mas também porque a história do romance dela lembrava muito a história do meu romance. Adorei o livro e, aproveitando a presença da Anne Enright na FLIP deste ano, decidi reler o romance. E a segunda leitura foi ainda melhor do que a primeira. Ela tem um texto genial em que mistura dor, saudade, humor, ironia e um monte de outras coisas. Até aproveitei a FLIP para comprar mais dois livros dela e pedi autógrafo para todos. Não sei negar o meu lado tiete.
A seguir, um pouco do texto de Anne Enright:

It does not matter. I do not know the truth or I do not know how to tell the truth. All I have are stories, night thoughts, the sudden convictions that uncertainty spawns. All I have are ravings, more like. She loved him! I say. She must have loved him! I wait for the kind of sense dawn makes, when you have not slept. I stay downstairs while the family breathes above me and I write it down, I lay them out in nice sentences, all my clean, white bones.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Porque amanhã é sábado


Quando chega a sexta, é um alívio. Porque amanhã é sábado e vou voltar para a Travessa, voltarei para meu escritório e para meu romance. E torço para que fique nublado, porque dia de sol não combina muito comigo. Só não quero que chova. Quando chove, a Travessa enche e eu me sinto um pouco invadida. Eu vou lá há tanto tempo que é como se o lugar fosse a minha segunda casa. Se você quiser me encontrar, vá lá aos sábados.

domingo, 30 de agosto de 2009

Dever cumprido


Voltar para casa após ter passado o dia instalada na Travessa (meu escritório), escrevendo, é sempre um pouco triste. Isto porque é, inevitavelmente, uma volta à realidade e eu preferiria continuar escrevendo, não ter que voltar ao trabalho. Mas há também a satisfação de saber que o dia rendeu, que avancei mais algumas páginas e que no próximo sábado tudo vai se repetir.
E toda vez que eu volto para casa, eu estou quicando das paredes, cheia de energia. É muito difícil dormir e até a pilha baixar, é três, quatro da manhã.
No fim de semana que vem vou fechar mais uma parte do texto e iniciar um novo capítulo. Com alguma sorte, terei a primeira versão fechada até o final do ano e aí começara o trabalho de voltar atrás para escrever a segunda versão. Com alguma sorte, até meados do ano que vem eu já tenha um novo romance. Not bad, huh?