Com o calor infernal que anda fazendo no Rio, eu venho pedindo aos céus que chova há semanas. E parece que ontem finalmente alguém me ouviu porque despencou um dilúvio como poucas vezes eu vi aqui sobre minha casa. Até entrou água no apartamento. Acho que da próxima vez serei mais específica nos meus pedidos. Chuva sim, dilúvio não. Em todo caso, vou tentar arrumar uma arca para a próxima vez. Pelo menos eu já tenho um par de cães para dar início à coleção.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
São Super-Homem
Transbordar
Lendo uma entrevista com o escritor João Ximenes Braga no site da Saraiva Conteúdo, encontrei uma resposta interessante à pergunta "O que você diria para um jovem que deseja ser escritor?" A resposta foi a seguinte:
JXB– Você só pode escrever porque gosta de ler. Sinceramente, não consigo pensar em nada estimulando não. Por que você escreve? Você escreve porque gosta? Tem uma resposta da Luciana Peçanha: Por que você escreve? “Porque transbordo”. Se você precisa escrever, escreva. E arque com as conseqüências.
A entrevista na íntegra pode ser encontrada aqui.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Controle
Tomar o controle da própria vida. Quantas vezes a gente consegue ter essa nítida sensação de que o que acontece na nossa vida só depende de nós? Essa é uma das sensações mais incríveis que se pode ter na vida. Eu recomendo.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Frak
Esta semana que passou eu finalmente tive tempo para terminar de assistir à quarta e última temporada da série Battlestar Galactica. Não, esta não é a Battlestar do seu pai. Ronald Moore, o produtor, pegou aquela série chiclete dos anos 70 e levou a ideia básica às últimas consequências. A série é pauleira. Ela trata de tudo um pouco. Política, religião, amor, sexo, desespero, esperança. E ninguém, ninguém mesmo é santo ou vilão. Todos os personagens, até os que você consideraria os mocinhos, são capazes de cometer crimes em nome daquilo em que acreditam, porque acham que é necessário. E você não tem como prever como os episódios vão terminar. Não mesmo. E para fechar com chave de ouro, o elenco é encabeçado por dois atores incríveis: Edward James Olmos e Mary McDonnell. Aqui no Brasil, a ficção científica é vista como coisa de criança, de adolescente, como algo raso e ligeiro. Battlestar Galactica é tudo menos isso. O texto é maravilhoso e a trama tem vários níveis. É como se fosse um grande romance em quatro volumes. Acho que a única série comparável a ela é Roma, que também é uma série absolutamente singular e que foi tirada do ar cedo demais. As quatro temporadas (ai como eu queria que tivesse durado mais tempo) estão disponíveis em DVD. Aproveite que o carnaval vem aí e faça uma maratona em casa se você é daqueles como eu que não curte uma batucada.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Porque é preciso
Ontem, assistindo a um vídeo da entrevista com o escritor João Ximenes Braga do site Saraiva Conteúdo, registrei a frase quase inevitável dos escritores. Escreve-se porque é preciso. E essa é uma necessidade tão forte quanto comer e beber e respirar. Soa como um dos piores clichês, eu sei. Quando entrei em parafuso por causa das críticas duras ao primeiro romance, o que me ajudou a recuperar o equilíbrio foi lembrar dessa felicidade singular que é escrever. Muitas coisas podem nos fazer felizes. Escrever está numa categoria toda sua e que é difícil de descrever ou explicar. E é uma felicidade que nos sustenta. O escritor não só é persistente. Ele vive da esperança de que tudo vai dar certo no final.
Persistência
Escritor tem de ser meio cabeça dura. Você escreve sem ter certeza que o que está escrevendo é bom, sem saber se vai ser publicado e, se for publicado, se seu livro vai vender bem. Você também não sabe se algum dia vai poder viver de escrever. Ou seja, na maioria dos casos, escrever será aquilo que você faz nas horas vagas e o seu sustento terá de ser tirado de outra atividade qualquer. Há vezes em que você recebe críticas duríssimas ao seu texto e, tempos depois, o mesmo texto é super bem recebido por outras pessoas. Nisso, você fica oscilando entre pensar que seu texto é uma merda ou é uma maravilha. Às vezes, o texto leva anos para ficar pronto. Meu primeiro romance exigiu 6 anos de trabalho e joguei fora dois terços do texto duas vezes. Houve um momento em que tive uma grande crise e me perguntei se valia a pena continuar escrevendo. Mas pouco depois eu percebi que nunca conseguiria deixar de lado o romance até botar o ponto final nele. Dito e feito, assim que eu dei o romance por terminado, comecei a ter uma avalanche de novas ideias, um novo romance começou a surgir na minha cabeça e, pouco depois, ideias para outros romances. Hoje foi um daqueles dias em que precisei ser insistente. O texto não estava ficando com a cara que eu queria, mas continuei seguindo em frente. Talvez amanhã, quando eu retomar a cena, ela fique com uma cara melhor. E mesmo que não ficar, tem sempre a segunda repassada do texto para acertar tudo. Para o alto e avante.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Felicidade
Adriana Lisboa fez um ótimo post na terça sobre um ensaio de Amy Bloom a respeito da felicidade e sua busca. No post dela tem o link para o ensaio da Amy. O post da Adriana está aqui.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Pausa
Ocasionalmente, quando se escreve, um momento de pausa é necessário para que você possa ter uma visão mais clara do que escreveu. Ontem foi um momento de pausa. E de repente eu entendi que a penúltima cena de um de meus personagens precisava de uma dinâmica diferente. Eu achei o texto que precisava ser dito, parte do diálogo, mas não havia dramaticidade suficiente. Ou seja, sábado que vem vamos começar de novo e acertar a cena. Cada vez mais eu acho interessante esse processo pelo qual as coisas que absorvo todo dia acabam voltando à tona de maneiras diferentes. Frases que vi num filme, algo que li em um romance, uma cena que presenciei. Nada se perde. Tudo acaba sendo usado uma hora ou outra. É um pouco desconcertante quando dou de cara com esses elementos que inspiraram coisas que escrevi. Mas ao mesmo tempo é interessante ver o que eu guardo de tudo o que me cerca. Essa é uma perspectiva que sempre me interessa.
Ansiedade
Vida de freelancer. Todo mês você recomeça do zero e fica torcendo para aparecer trabalho. Essa época do ano é a pior de todas. O telefone não toca, sua caixa de entrada do e-mail teima em ficar vazia. Você se diz que tudo vai dar certo. É assim que tem de ser. O otimismo precisa ser constante. Fevereiro será um mês melhor do que janeiro. Tenho certeza.
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